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Sou só eu que já perdi a pachorra (algum dia a tive?) para as palavras dos políticos e só quero é saber quando limpam as ruas aqui da freguesia?…

Os portugueses mostraram (mais uma vez?) que:

  • continuam a acreditar que só quando as tropas invasoras tiverem passado as fronteiras físicas e estiverem a meia hora de lhes ocuparem a casa é que vale a pena pensar que podem ver a próxima Padeira de Aljubarrota em acção e esse é o único espectáculo que querem ver com os olhinhos que a terra há-de comer (35%; os restantes abstencionistas não votaram porque estavam a fazer outra coisa e se o país é livre não têm nada que dizer o quê!)
  • sabem que o partido não mostra gente, mostra que não tem ideias, mas, irra, é preciso acreditar que um dia isto vai ao sítio (17%)
  • em tempos de crise, mantém-se a equipa e não se arrisca (muito) (7%; o resto dos eleitores do PS é sempre rosa)
  • querem é gajas boas! (5,94%)
  • a PIDE lhes meteu tanto medo que continuam a acreditar piamente que os camaradas da célula sabem perfeitamente o que eles fazem na cabina de voto (4,75%)
  • quando lhes dizem que podem ter emprego fazendo a+b, que podem ter apoio à saúde com x+z, que o país pode avançar se fizermos assim, tal e com fulano, sem entrar por assados nem outros tais nem sicranos, então vamos para a frente! (3,7%; o resto dos eleitores do CDS-PP já há muito que acredita)
  • a aldeia tem lugar para todos (1,89%)
  • se esqueceram da caneta em casa e tveram medo de contrair gripe A se pegassem na que vinha com o cordel (1%)
  • vão bardamerda e mais só me darem esta oportunidade de dizer o que eu penso de vocês! cambada de ladrões! filhos da puta! (0,79%)
  • têm o bom velho espírito de gostarem de uns tolos da aldeia que gritam muito alto e se esganiçam muito, porque a aldeia tem lugar para todos. Ah, e gajas boas! (0,02%)

Ficha técnica:

% contabilizada % total de
eleitores inscritos
abstenção 0 39.46
PS 36.56 22.13
PSD 29.09 17.61
CDS 10.46 6.33
BE 9.85 5.96
CDU 7.88 4.77
micros 3.13 1.89
brancos 1.75 1.06
nulos 1.31 0.79

Governo minoritário sem coligação, que cai ao fim de ano, ano e meio. Caras do centrão ao ar. O meu voto está decidido, será um voto útil pela mensagem: existem alternativas reais que serão coligação no governo a seguir ao próximo.

/modo Nostradamus-sem-rima off

Eu nasci no anivesário dele. Ele morreu no aniversário do meu irmão. Cá em casa ele é, e sempre foi, O Político.

Sa_CarneiroFrancisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro

19.07.1934 – 04.12.1980

Sempre votei no mesmo partido. No outro dia, um amigo trouxe para a nossa pequena àgora digital a discussão do que é o “voto útil”. E fiquei a matutar, se o meu voto sempre igual tem estado enfermo de utilidade podre ou tem sido uma verdadeira expressão dos meus princípios e valores.

É certo que têm agora nascido alguns partidos muito interessantes, o MEP, o MPT, o MMS. Partidos pequeninos em votos e prejudicados por uma cobertura mediática sobre a qual haveria muito a dizer – mas este meu blog é suposto ser sobre o meu Acto de Ser e não sobre reflexões sobre o mundo exterior e sobre o meu incipiente activismo político.

Mas são pequenos partidos que apostam em algo que me é muito querido, e que julgo ser o futuro: as comunidades internáuticas, a novidade das redes sociais, e mais do que o debitar de cassetes, a possibilidade de dialogar directamente com os quadros superiores desses partidos.

Ou então sou eu que tenho sorte e por uma razão ou outra cheguei à Pessoa antes de conhecer o Político.

Mas, enfim, com tudo isto, nas autárquicas para Lisboa, onde voto, vejo-me pela primeira vez a matutar se voto ou não no meu partido de sempre. O candidato nunca me inspirou confiança. Sempre apostei na equipa, nas pessoas do partido, e é por pensar que quem faz o trabalho são as pessoas todas e não apenas os nomes na lista eleitoral e por confiar nas pessoas do “meu” partido e desconfiar profundamente das pessoas do outro grande partido (para além de sempre ter rejeitado o próprio programa) que voto no partido para além do candidato. O meu voto útil tem sido sempre que as sondagens (oh que linda outra história…) e a minha intuição me dizem que a luta pode ser renhida e por meia dúzia de votos pode ser o outro a ganhar a prioridade nos assuntos. E eu acredito, sempre acreditei que o meu voto, mesmo que seja só um, conta. Conta mesmo.

E agora vejo o candidato do meu partido a fazer as maluquices do costume (mas caraças não se chega ninguém de valor à frente, nem precisam de ir fazer a rodagem do carro, para substituir la crème de la crème que já vai deslaçando???) e os outros com umas estratégias hiper-complicadas e sim, desonestas, desonestas para quem julga estar a escolher alguém em quem acredita e se vê de repente na possibilidade de se espalhar com uma valente rasteira à traição.

E começo a pensar seriamente em com o meu voto dar voz aos tais pequenos partidos quase bebés. Mas muito seriamente.

Eu bem queria explorar este repositório fantástico das sonoridades portuguesas revistas por gerações no Hawai (até há uma académica portuguesa que fez uma “recensão crítica” desta edição de 2002!), mas os Oreja não me deixam, continuam a invadir-me o pensamento espontâneo com acordes e palavras soltas (já agora,artigo no El Pais, Porque nos acordamos de las cosas de repente)…

Outro álbum na calha para posterior exploração: Meus Primeiros Passos e Compassos, de Jobim (ouvir excertos aqui). Deixei em França uma caixa de 3 cds que, à boa Bobo irritante, encontrei na Rua Mouffetard (num daqueles passeios após o café numa esplanada na Place de la Contrescarpe – talvez o único sítio de que gostei verdadeiramente em Paris) – e pelos vistos este álbum é o segundo da Revivendo sobre Jobim, depois dessa caixa…

A semana online passou-se entre alguma preocupação pelos amigos na rota do Gustav (uma evacuou para inland, outro viu-o passar a uma hora de distância, uma terceira também não terá dado por nada, um quarto nem deu notícias, mas já há alguns meses que saiu de Nova Orleães – foi uns dos que não conseguiu sair com o Katrina e ainda hoje está para recuperar…).

Também andei sem saber muito bem o que pensar com os desvarios americanos do GOP – olha, uma gaja; mas quem é esta gaja; o filho é dela ou da filha; olha, afinal a filha está grávida; mas ela fez o que disse ou está a mentir; etc e tal. Li vários posts aqui e ali, mas não seria eu se não destacasse a Dooce:

I am angry. I am infuriated. And I don’t think I would be if Sarah Palin were a qualified or competent choice as McCain’s running mate. But the fact, the reality is that she is not. And instead of demanding better from their party, instead of going, wait a minute, no, we deserve better than this, many Republicans are contorting themselves into a denial of reality. (please read this, it’s a report from the AP, not some spooky liberal blog that wants to kill babies) And that right there is what has been going on for the last eight years.
And I am just so damn sick of it.

Parece que também temos uma mulher na política portuguesa a dar que pensar, se fala ou não fala, e que também há uns problemas quaisquer com vice-presidentes na nossa política, mas começo a tentar interessar-me e distraio-me com os Oreja, quando precisarem de mim para fazer a cruzinha no boletim de voto, mandem um Cliffs Notes (à portuguesa, algo como “A Política Portuguesa contada aos jovens e ao povo por Adolfo Simões Müller Jr”)…

De resto, rendo-me à escolha do Luís: é o fim……..

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"É proibida a entrada a quem não estiver espantado de existir."

José Gomes Ferreira

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God grant me
The serenity to accept
the things I cannot change;
Courage to change
the things I can;
And wisdom
to know the difference.

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