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E pronto, Sebastião da Gama, não resisto!
O Sonho
Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
***
Largo do Espírito Santo, 2, 2º
Nem mais, nem menos: tudo tal e qual
o sonho desmedido que mantinhas.
Só não sonharas estas andorinhas
que temos no beiral.E moramos num largo… E o nome lindo
que o nosso largo tem!
Com isto não contáramos também.
(Éramos dois sonhando e exigindo.)Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: São searas,
são olivais, são hortas… E pensaras
que haviam nossos olhos de ter sede!E o pão da nossa mesa!… E o pucarinho
que nos dá de beber!… E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho…E o nosso quarto? Agora podes dar-me
teu corpo sem receio ou amargura.
Olha como a Senhora da moldura
sorri à nossa alma e à nossa carne.Em tudo, ó Companheira,
a nossa casa é bem a nossa casa.
Até nas flores. Até no azinho em brasa
que geme na lareira.Deus quis. E nós ao sonho erguemos muros,
rasguei janelas e tu bordaste
as cortinas. Depois, ó flor na haste,
foi colher-te e ficarmos ambos puros.Puros, Amor – e à espera.
E serenos. Também a nossa casa.
(Há-de bater-lhe à porta com a asa
um anjo de sangue e carne verdadeira.)***
O Vento enchia o Mundo. Mal deixava
lugar para a tremenda voz das ondas.Mas era o Mar apenas que se ouvia.
Já sabia da sentença há algum tempo, mas hoje deu-me para ir recuperar o pouco que ainda tinha no primeiro site que fiz, o alojado no Geocities. Nunca mais consegui organizar um site como aquele, nunca mais consegui ter gosto por um site como por aquele – tal e tal, nunca se esquece o primeiro amor e tal e tal…
O webdesign mudou tanto, mas tanto, nestes dez anos que nem sei por onde começar. Uma coisa será sempre certa: há dez anos que destaco a poesia e isso continuará. E este poema, que tanto me acompanhou numa paixão monumental dos 16 aos 19 anos, este também continuará.
anoitece. arrefeceu.
sei que me faltas; mentiste
mais uma vez.
a chuva
tornou-se densa,
e a luz sumiu-se… – quem ama
não define coisa alguma.
a chuva segue encharcando
a sombra da noite fria.
e este desejo de beijar-te
há-de acabar
por ser somente
uma cansada teimosia
- funda, febril, impertinente…(António Botto)
E, vá lá, vá lá, um pouco de Sebastião da Gama também :)
A uma rapariga
Somos assim aos dezassete.
Sabemos lá que a Vida é ruim!
A tudo amamos, tudo cremos.
Aos dezassete eu fui assim.Depois, Acilda, os livros dizem,
dizem os velhos, dizem todos:
“A Vida é triste. a Vida leva,
a um e um, todos os sonhos.”Deixá-los lá falar os velhos,
deixá-los lá… A Vida é ruim?
Aos vinte e seis eu amo, eu creio.
Aos vinte e seis eu sou assim.
Mar adentro,
mar adentro.
Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.
El abrazo más pueril
y el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.
Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras
‘más adentro’, ‘más adentro’
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.
Ramón Sampedro






