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Et lui, là, ce grand crétin, ce péteux, ce vantard, ce petit matador de province avec sa grande gueule, sa grosse moto et son millier de bimbos cochées sur la crosse de son pétard, oui, lui, là, ne put s’empêcher de rougir.
Anna Gavalda, Ensemble, C’est Tout
Começo finalmente a fazer o luto, ao fim de quase cinco anos, da minha biblioteca perdida para lá dos Pirenéus. Hoje comprei um exemplar de Ensemble, C’est Tout, da minha autora francesa favorita, Anna Gavalda.
Conheci Gavalda já nem me lembro ao certo quando, como ou porquê, se calhar num daqueles meus arremessos “isto parece giro”. Comecei com o livro de short stories, Je voudrais que quelqu’un m’attende quelque part, um livro com algumas ideias brilhantes e um estilo refrescante. Talvez porque o francês me fosse mais acessível, ou porque estava tão habituada à chick lit britânica (para lá da Bridget Jones), gostei e fiquei fã para os seguintes.
Neste cinco anos, tenho-me recusado a comprar muita coisa que duplique o que tive de deixar em França, sempre na ilusão de que um dia, um dia!, tudo me será devolvido. Livros, roupas, sapatos… os meus clássicos, as minhas referências, tudo do que ficou lá. Só trouxe os CDs, porque faziam pouco peso e volume na bagagem.
Hoje, na minha volta habitual pela secção internacional da FNAC, saltou-me à vista uma capa, com cores de amêndoas de Páscoa. Já o tinha visto, igual ao meu original, mas sempre a pensar “já tenho”. Se calhar é porque esta edição de bolso é diferente, não parece aquele tijolo que recebi da Amazon.fr naquele dia de Primavera, há cinco anos. Se calhar porque já é altura. Se calhar porque depois do filme no UCI e do DVD já tenho saudades das palavras. Se calhar porque o último, La Consolante, me deu ainda mais saudades de voltar a ler mais e mais páginas de Gavalda. Se calhar porque já é altura.
Não sei. O certo é que também lá estava um volume com as obras completas do Oscar Wilde e lá voltou a ideia “já tenho”.
Mais, lá, mon petit, on est ensemble, c’est tout :)
Que bom, mas que bom o “conchego” da prosa queirosiana. Uma pessoa nem se apercebe, perdida entre as páginas traduzidas ou em V.O. (inglês, francês, um pouco de espanhol…) e os repentes linguísticos digitais (sim, também sou culpada de publicar na web tudo e mais alguma coisa), uma pessoa nem se apercebe das saudades da nossa língua pensada e reflectida e corrigida duas três dez vezes, acariciada letra a letra, amada palavra a palavra.
Deixar-se envolver pela escrita do Eça é como que deixar-se cair num leito entre as almofadas mais fofinhas que o corpo não consegue imaginar. Cita-se pelo conteúdo, pela actualidade, pelas boutades mordazes, mas a forma… O tempo pára, os neurónios aconchegam-se… Uma pessoa até parece que respira melhor, ao seguir a cadência dos grafemas no papel, dos fonemas na nossa voz interior.
E é bom, tão bom, ter estes livros que nos duram uma vida, que relemos vezes sem conta e é sempre um gosto de primeira vez.
Podem dizer-me “e Zola, já leste Zola, que maravilha, o Eça não é ninguém ao lado do Zola”. Ide conhecer-vos, no sentido bíblico, e deixem-me aqui que estou tão bem e não faço mal a ninguém.






