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Ah, é verdade, os azuis perderam e assim mais uma vez se confirma que não tenho jeito nenhum para feiticeira de futebol.
A vitória de hoje não conta!!!!!
ETA: Quer dizer, conta, claro, obviamente, Champions allez (é para o não-sei-quê dos Champions, não é?…), mas não conta para esta tentativa de ver se resulta o tal azuis ganham et cetera e tal. *cough*
Eh lá! Falo em empate azuis-encarnados, os azuis empatam e os encarnados perdem?… Será que isto é como nos jogos da seleção?…
Hmmm…
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Em noite de Halloween…
…pózinhos de perlimpim…
Azuis ganham, encarnados empatam!
(to be continued…)
Numa altura em que poucas coisas arrancam um sorriso no coração de certa pessoa, eu troco o cachecol azul por um encarnado e branco e peço “só mais um! só mais um!”.
Até ao dia, claro, em que ambos os cachecóis se encontrem no mesmo estádio. Entre o amor e o egoísmo, acho que prefiro um empate :p
Eu tinha nove, quase dez anos, andávamos loucos no recreio com a mascote do Mundial, o Naranjito. Fecho os olhos e vejo-me, de pé entre a primeira fileira de carteiras (aquelas ainda à antiga, com os buracos para os tinteiros e a tampa que se levantava) e a mesa da Senhora Professora com dois colegas, a debater a beleza da mascote. E há alguém que me pergunta:
- E tu, de que clube és?
Eu não tinha clube. Era rapariga, mesmo que maria-rapaz, numa família de homens benfiquistas mais ou menos aguerridos, um pouco (hahahahahahahaha) do contra… havia os três grandes, o encarnado, o verde e o azul… E o azul, para além de ser a minha cor favorita na altura, tinha um jogador com um nome fantástico para os meus nove anos (e possivelmente para todos os outros): o homem chamava-se Frasco! Frasco! Frasco!!!
Naqueles segundos foi para mim lógico e evidente que aquela pergunta só poderia de ter mim a resposta:
- Do Porto!
O Frasco foi-se (pelo menos do plantel), a minha cor favorita passou do azul ao verde, mas o FêCêPê ficou sempre. Porque nem me interesso por aí além por futebol, porque sempre teve piada azucrinar os benfiquistas da família com a minha ovelha-ronhosice, porque se já sou há tantos anos para quê mudar…
Tive Domingo uma experiência fantástica: pela primeira vez na minha vida assisti a um jogo do Porto com portistas! Juntou-se a vida real aos amigos cibernautas e fomos campeões da Liga Sagres com meia dúzia de Super-Bocks. Tinha de ser, aqui tão ao pé do Estádio da Luz, tínhamos de manter o nosso espírito de rebeldia!
Mas foi bonito, talvez até mais do que ver o Mundial com um árbitro – ver um jogo dos Dragões com quem tantos jogos lá viu ao vivo e que ia contando histórias pelo meio de um jogo morno.
Tive o privilégio de assistir à primeira metade da segunda parte do Portugal-Alemanha com um árbitro de futebol. A primeira parte, ele ainda não estava cá. A segunda metade da segunda parte, eu convenci-me que de facto estava a dar azar à selecção, porque nos outros jogos só quando ia à casa de banho e saía de frente da televisão é que marcávamos golo. Cheguei a ir à cozinha quando eles se lançavam campo fora… Enfim, são as superstições desportivas que todos temos, mesmo que não as confessemos: este Euro, se eu estava a ver, não havia golo de Portugal. Assim, retirei-me da sala para ver se conseguíamos ganhar.
Não me culpem pela derrota com a Suíça, porque esse jogo foi a excepção, faz hoje uma semana não tinha cabeça para ver futebol.
Lembro-me de começar a ver futebol meio a sério com o Mundial do Naranjito, aos anos que isso foi. Houve outra competição em que insisti em ver os jogos todos de Portugal e o meu pai achava graça à “pancada da rapariga” e chamava-me para eu ir ver os jogos, dizia-me horas antes “olha, é às tantas, não te esqueças”. Foi ele quem me explicou o que era um livre, um pontapé de baliza, os fora-de-jogo (e coitados de nós, houve uma alteração qualquer aqui há uns anos e nem um nem outro nunca mais nos conseguimos entender se era fora-de-jogo ou não…). Às vezes o jogo irritava-nos e ele já não conseguia ver na televisão e ia para o quarto ouvir o relato na Julieta (a Julieta era o rádio despertador). A partir de certa altura, eu perdi a pachorra e só via os últimos vinte minutos, com o relato dele de como se tinham passado os outros setenta.
Por isso, aquele bocado de jogo com o olho clínico de um árbitro foi um reviver e um ir além dos meus jogos com o meu pai. De certa forma, uma dádiva inesperada: continuo a ter quem me explique o futebol. E de uma forma absolutamente fenomenal: o homem é tão bom, tão conhecedor, tão observador que me lavou a alma da mágoa que eu tinha do “epá, se vamos perder, ao menos que demos luta!”. E, sim senhor, pelo que ele ia dizendo, demos luta.
A “fita” do Ronaldo? Que depois foi explicada por o rapaz ter jogado com o pé quase partido? O nosso árbitro disse logo, com a jogada em directo, “pisou-lhe o pé”. O nosso segundo golo em fora de jogo? Ao segundo visionamento, “ali já não estava em fora de jogo”. A raiva fria por o outro ter empurrado o defesa. Em todas as jogadas ele apontava algo, fazia-nos o relato ele. Um verdadeiro espectáculo na nossa sala de estar.






