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Ele em pleno gozo do planalto, ela ainda nas vagas tornadas tormentosas pela tempestade no coração. Quebrou o abraço suado e lânguido, explorou com lábios e língua e dentes, devoradores, cada pedaço de pele e carne que se oferecia mais que inocente ou ingénuo, incauto. Mordeu pelos e lambeu sinais, cada centímetro à vista dos seus um metro e oitenta e três, oitenta quilos, entre músculo trabalhado e naco preguiçoso. Aplicou-se no broche, levou-o à loucura no seu egoísmo desesperado, uma e outra vez. Quando o deixou por fim explodir, derramou-lhe gota a gota de saliva e esperma tudo sobre os abdominais e o peito e os lábios, recusando as mãos que a tentavam agarrar, abraçar, puxar naquele misto de paixão e amor momentâneo, efémero, lutando com os joelhos e as coxas e os pés.

Deixou-o na sua respiração ofegante e lançou o lençol para longe, de queixo deliberadamente erguido, de passos firmes até à casa de banho. Torneira do chuveiro, correr a cortina, ajustar o telefone do duche, as palmas abertas na parede, os olhos fechados, a água a correr misturando-se com as lágrimas.

Ao fim de algum tempo, ele achou que devia estar com ela. Mais do que o que devia ser feito, o seu coração queria estar com ela. Correu a cortina, viu-a de olhos fechados, molhada, foi sem grande dificuldade que a deixou abraçar-se.

- O que foi?
- Nada.
- O que foi?
- Segura-me.

O abraço tornou-se mais envolvente.

- Não. Segura-me. Apoia-me. Nem que seja por um segundo. Só te peço um segundo.

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O José, simplesmente José, e a Maria, simplesmente Maria, conheceram-se numa noite de desfolhada. Na realidade, o José já tinha visto a Maria e gostara das suas gargalhadas, do seu meneio de anca e do brilho dos seus cabelos ao longe. Razões pelas quais naquela noite, antes de sair de casa, escondera uma espiga vermelha na camisa. Quando no meio das gentes de repente se ergueu e gritou “Milho-Rei!”, já ia com os olhos postos na Maria. Foi a terceira do grupo que beijou.
Tiveram quatro rapazes e três raparigas a quem chamaram, na alegria e orgulho de fazerem família: José António, José Bernardo, Maria de São José, José Carlos, Maria de Santo António, Maria de São Julião e José Duarte. Todos espigaram, herdando da mãe as gargalhadas e do pai o brilho maroto nos olhos.

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Ela nunca sabia quando é que o táxi vinha ocupado ou vazio, por isso levantou a mão. Só depois reparou na cabeça do passageiro por trás do encosto de cabeça do lugar do morto e fez novo gesto para o taxista, como que a pedir desculpa.

Viu pelo canto do olho uns faróis relampejarem duas vezes e outro verde e negro fez a curva para parar ao seu lado. Entrou.

- Para Paris.
- Desculpe?
- Para Paris.
- Agora não estou a ver…
- Paris, França.
- …
- …
- Mas a senhora deve estar doida! Agora ir para Paris! Mil e tal quilómetros! Tenho família, isto não é assim, tem de telefonar para a central!

O homem refilou mais um pouco, parou o carro, cobrou-lhe a bandeirada e ela saiu.

Três ocupados, dois refilões, um que a levou para a Avenida de Paris, sem uma única palavra pelo caminho. Novo verde e negro. Entrou.

- Para Paris.
- Tem preferência pelo caminho?
- Por Madrid, se faz favor.
- Com certeza.

E lá partiram os dois.

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"É proibida a entrada a quem não estiver espantado de existir."

José Gomes Ferreira

Serenity Prayer

God grant me
The serenity to accept
the things I cannot change;
Courage to change
the things I can;
And wisdom
to know the difference.

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