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Lembro-me de ir estudar com uma amiga para uma biblioteca de uma universidade a que nenhuma de nós pertencia. Porque era calma, muito bem fornecida. Adoro livros, adoro bibliotecas, adoro livrarias, as filas e filas de lombadas de todas as cores e com os mais diversos tipos de letra, todo aquele saber lá dentro, tão à mão. A altura mais feliz e mais frustrante da minha vida foram os quatro anos que passei na universidade, feliz porque a explosão de conhecimento apoiada em bibliografias e conselhos de quem fazia daquilo vida pareceu-me um paraíso na terra, frustrante porque o dia só tem vinte e quatro horas e eu não podia apreender tudo o que queria. Mais, sempre mais. Muita fome, muita curiosidade.
Aquela biblioteca era diferente porque tinha uma secção de teologia. Era a Biblioteca Universitária João Paulo II, da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. E enquanto a minha amiga estudava Direito e eu estudava Ciências da Comunicação (Sociologia, Antropologia, Semiótica, etc etc etc), de vez em quando percorria com a ponta dos dedos e os olhos essas lombadas com todo um mundo lá dentro, Hermenêutica Bíblica, História das Religiões, as filosofias e as antropologias de séculos do Homem à procura de Deus. Todo um mundo de conhecimento que durante muito tempo, demasiado tempo, esteve proibido aos leigos e agora estava ali. À distância de um registo de cartão de leitor.
O meu professor de Religião e Moral no liceu dizia meio a brincar que eu era a teóloga da turma. E teve esse mérito, o Padre Cordeiro, de saber ir além de uma certa ideia de padre e de esclarecer as minhas dúvidas, de me fazer pensar, de me incentivar a apoiar a minha fé na razão possível, na história disponível. De me deixar bem claro que a Igreja e a Religião são tão mais do que a Missa e a Oração, que eu não estou só na História ao querer saber mais e mais, que a Fé e a Certeza são pessoais mas também se partilham, hoje e sempre…
E que por vezes os Estudos Biblícos das paróquias são fracos e quem quer saber mais, sempre mais, tem de procurar mais além e tem onde procurar.
É por isso que me choca esta chacota superficial por um homem, que se fez na sua profissão sem canudo, ter escolhido saber mais por si, para si. Porque fazer sacrifícios na sua vida pessoal e profissional durante anos para estudar a nível universitário não para avançar na profissão mas para avançar como pessoa é raro e também por isso é de valor.
E porque para quem crê, poder aliar o saber ao sentir é inestimável.
E porque fazer a licenciatura em Teologia é um dos únicos objectivos da minha vida que a vida ainda não me tirou. E não pode tirar. Há laços entre a minha alma e o meu cérebro que resistem a todas as violências.
Parabéns, dr. José Luís Machado Seruya, e obrigada pela sua sede de saber.
Isto é grave… E, não, não seria de esperar…
La proportion des catholiques pratiquants dans l’électorat FN s’est notablement renforcée. Alors que la “droite catho” fut longtemps un des segments de l’électorat le plus réfractaire aux discours d’extrême droite, elle a amorcé un virage en 2002. “L’électorat catholique vieillit, se droitise et se radicalise”, souligne Jérôme Fourquet, directeur adjoint de l’IFOP.
Les catholiques de France, une population vieillissante, Le Monde
4 e andou pelo deserto, um dia de caminho. Sentou-se debaixo de um junípero e pediu para si a morte; «Basta, Senhor, disse ele; tirai-me a vida porque não sou melhor do que os meus pais». 5 Deitou-se por terra, e adormeceu à sombra do junípero. Mas eis que um anjo tocou-o, dizendo: «Levanta-te e come». 6 Olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um copo de água. Comeu, bebeu e voltou a dormir. O anjo do Senhor veio segunda vez , tocou-o e disse-lhe:«Levanta-te e come, porque ainda tens um caminho longo a percorrer».
8 Elias levantou-se, comeu e bebeu e reconfortado com aquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, o monte de Deus”
1Rs 19,4-8
Foi uma semana muito difícil, a vários níveis, por todas as razões possíveis. Uma semana em que como Elias me deitei por terra e pedi a morte (figurada ou não, não estamos aqui na realidade mas na verbalidade possível pós-eventos). Neste meu caminho de eu-que-sente, eu-que-pensa, eu-que-escreve, eu-que-que-tem-fé, eu-que-tropeço-e-caio-e-me-deixo-caída-e-tento-encontrar-forças-para-me-levantar-sozinha-e-até hoje-sempre-me-tenho-levantado… Vou poucas vezes à missa, mas quando vou… percebo porque deveria ir mais vezes.
Bispo de Viseu entende que doentes com SIDA devem usar preservativo – TSF
O bispo de Viseu entende que os doentes com SIDA que não prescindem de ter relações sexuais devem usar preservativo para não transmitirem esta doença a outros.Para Ilídio Leandro, a este propósito, há que distinguir a lei geral de questões relacionadas com doentes infectados.
Ouvido pela TSF, este religioso distinguiu a «orientação da Igreja sobre deteminados comportamentos a nível teórico e de tese» e o «acompanhamento pessoal e a situação concreta em situações concretas».
«Aquilo que é importante frisar é que a lei da Igreja nunca esmaga as pessoas. Cada pessoa concreta tem sempre a paciência de Deus e a misericórdia de Deus», explicou.
Por esta razão, Ilídio Leandro defende que um doente com SIDA que não prescinda de relações sexuais «é moralmente obrigada a não transmitir a doença».
«Por isso, com preservativo e com um meio que naturalmente preserve a questão dessa doença, a pessoa deve evitar a infecção na pessoa com quem tem relação sexual», concluiu.
Esta ideia foi defendida na sua mensagem de Quaresma que está publicada na Internet, tendo este bispo, explicado, à TSF, que não tem medo da polémica, uma vez que a sua posição é sustentada pela doutrina da Igreja Católica.
Sobre a posição recentemente reiterada por Bento XVI durante uma visita ao continente africano, Ilídio Leandro considerou que o papa não poderia assumir outra posição se não a defender que o problema da SIDA em África não se resolve com a distribuição de preservativos.

As hordas de africanos que seguem à risca a condenação papal do uso do preservativo são as mesmas que olimpicamente ignoram a sua proposta de moral sexual?
Estou um bocado baralhado – 31 da Armada
Com apenas uma pequena errata: onde se lê “africanos”, leia-se “pessoas”.
Aliás, sobre este assunto, gostei deste artigo da BBC, do qual destaco esta prova da diferença* (necessária) entre a doutrina geral da Santa Sé e a aplicação no terreno por parte do clero:
The Belgian Cardinal Goddfried Daneels said in 2004 that using a condom with the intention of stopping disease was morally different from using one to prevent the creation of life.
He said condoms could be the lesser of the two evils.Father Gerry O’Collins, Emeritus Professor at the Gregorian University in Rome, said the commandment ‘thou shalt not kill’, “trumps other issues”.
The Catholic aid agency Cafod is bound to uphold the official teaching of the Church, and it makes clear that it does not fund or advocate the supply, distribution or promotion of condoms.
However, Cafod also points out that condoms are particularly effective for people such as prostitutes who are at highest risk of infection.
ETA: Não é uma questão de “faz o que Frei Tomás diz e não o que ele faz”. É porque todos nós somos Igreja e, a menos que o Papa declare ex cathedra, todos nós temos alguma liberdade de interpretação e acto. A Santa Sé dá as linhas gerais, o clero no terreno age de acordo com a sua consciência. Um exemplo recente é o da proibição por parte do Cardeal Patriarca de Lisboa da alteração de espaços para a Missa Tridentina, invalidando assim a correcta realização do rito e recusando assim um certo retrocesso doutrinal da Santa Sé.
* – estou há quase meia hora à procura do termo correcto, que não é “diferença”, mas já estou cansada e não chego lá. Aceitam-se sugestões…







