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Um cidadão português de 62 anos foi ontem encontrado sem vida, em casa, nos arredores de Paris, dois anos após a sua morte natural. Nenhum familiar, amigo, conhecido ou vizinho deu, entretanto, pela sua falta.

Pode haver algo mais triste do que isto?

Da morte, da solidão, do abandono, de todos os conceitos e emoções que vêm à cabeça, das coisas criminosas que nos fazemos (lembro-me de episódios trágicos no Verão de 2003 por toda a França)…

…e de repente pensar que tudo isto irá acontecer cada vez mais porque os nossos portos, os nossos avecs, os nossos esfaimados e desesperados que partiram durante a noite com meio retrato no bolso da camisa e pouco mais, os nossos analfabetos que se tornaram bilingues, os nossos que deixaram paredes e telhas para viver num gueto de lama e merda, os nossos pedreiros e as nossas porteiras, os nossos emigrantes dos anos 60 que deixaram uma pátria para trás levando-a no coração (e porra, como a levamos e a temos no coração) e que se habituaram a ser menosprezados por compatriotas e senhores de sangue da terra para onde foram, os nossos portos, os nossos avecs, os nossos, os nossos, os nossos vão começar a morrer cada vez mais por terras de França.

E se morrer sozinho é mau, morrer longe de casa… Longe de casa trabalha-se, ama-se, faz-se um filho. Mas não se morre longe de casa.

Flag_Portugal_(1830)

Os portugueses mostraram (mais uma vez?) que:

  • continuam a acreditar que só quando as tropas invasoras tiverem passado as fronteiras físicas e estiverem a meia hora de lhes ocuparem a casa é que vale a pena pensar que podem ver a próxima Padeira de Aljubarrota em acção e esse é o único espectáculo que querem ver com os olhinhos que a terra há-de comer (35%; os restantes abstencionistas não votaram porque estavam a fazer outra coisa e se o país é livre não têm nada que dizer o quê!)
  • sabem que o partido não mostra gente, mostra que não tem ideias, mas, irra, é preciso acreditar que um dia isto vai ao sítio (17%)
  • em tempos de crise, mantém-se a equipa e não se arrisca (muito) (7%; o resto dos eleitores do PS é sempre rosa)
  • querem é gajas boas! (5,94%)
  • a PIDE lhes meteu tanto medo que continuam a acreditar piamente que os camaradas da célula sabem perfeitamente o que eles fazem na cabina de voto (4,75%)
  • quando lhes dizem que podem ter emprego fazendo a+b, que podem ter apoio à saúde com x+z, que o país pode avançar se fizermos assim, tal e com fulano, sem entrar por assados nem outros tais nem sicranos, então vamos para a frente! (3,7%; o resto dos eleitores do CDS-PP já há muito que acredita)
  • a aldeia tem lugar para todos (1,89%)
  • se esqueceram da caneta em casa e tveram medo de contrair gripe A se pegassem na que vinha com o cordel (1%)
  • vão bardamerda e mais só me darem esta oportunidade de dizer o que eu penso de vocês! cambada de ladrões! filhos da puta! (0,79%)
  • têm o bom velho espírito de gostarem de uns tolos da aldeia que gritam muito alto e se esganiçam muito, porque a aldeia tem lugar para todos. Ah, e gajas boas! (0,02%)

Ficha técnica:

% contabilizada % total de
eleitores inscritos
abstenção 0 39.46
PS 36.56 22.13
PSD 29.09 17.61
CDS 10.46 6.33
BE 9.85 5.96
CDU 7.88 4.77
micros 3.13 1.89
brancos 1.75 1.06
nulos 1.31 0.79

Pois cá estamos, à espera que D. Sebastião volte lá da batalha em cascos de rolha, na sua armadura reluzente e de espada em punho, para fazer seja lá o que for que andamos desde 1500 e troca o passo à espera que ele venha fazer.

Se Sua Majestade insistir muito no nevoeiro, também se arranja uma maquineta de gelo seco e uma ventoínha, ou mesmo um leque, não seja por isso. Mas que venha, caneco, que os que cá estão, como de costume, já não se aturam…

Governo minoritário sem coligação, que cai ao fim de ano, ano e meio. Caras do centrão ao ar. O meu voto está decidido, será um voto útil pela mensagem: existem alternativas reais que serão coligação no governo a seguir ao próximo.

/modo Nostradamus-sem-rima off

Eu nasci no anivesário dele. Ele morreu no aniversário do meu irmão. Cá em casa ele é, e sempre foi, O Político.

Sa_CarneiroFrancisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro

19.07.1934 – 04.12.1980

Pelo interesse nacional, eu assino por baixo. E até reforço com uma cruz!

Juntem-se a mim, votem contra mim, mas votem! :)

E o Cristo-Rei faz 50 anos em Maio.

cristo-rei

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Quanto mais leio sobre política, a das salas, a dos corredores e a dos cafés (reais e digitais), mais vontade tenho, não de me envolver para tentar ajudar a mudar, mas de virar costas com um grande suspiro.

24h-20090127

Não, mas a sério. Começa a não haver vaselina suficiente para esta campanha. Então agora até já usam argumentos de que o difamador é atrasado mental? Não serão estes os termos usados, mas a ideia que se quer passar é essa.

É que deve dar gozo, por este tipo de linguagem na primeira página do jornal ;) Como é em estrangeiro, ninguém leva a mal…

Ontem achei que era melhor estar sentada à frente da tv às 8 em ponto. Às 19:59 a SIC ainda estava a dar a novela, por isso zappei para a SIC Notícias. Tal e coisa, suspense, o homem lá surgiu de fato e gravata encarnada por entre aqueles reposteiros brancos e dourados fantásticos. Olhou, engoliu, esperou, lá lhe deram o sinal. Desatou num político-legalês muito sóbrio e intrincado que desafiou brutalmente o meu short-attention-span.

A certa altura só ouvia um grito esganiçado: “Os Açores são nossos!!!”

Está bem. Okay. Acho que terá havido outras coisas, continuo a acreditar na inteligência daquele homem tal qual como em menina acreditava nas qualidades de herói do meu pai. Há coisas que é um bocadito complicado questionar. É altura de férias, não vou esforçar os neurónios. Assim como assim, parece que mais ninguém percebeu.

Gostei do bronzeado, da gravata, dos reposteiros. Esteticamente, aqueles minutos a olhar para a tv valeram a pena. Melhor que nada.

Tive o privilégio de assistir à primeira metade da segunda parte do Portugal-Alemanha com um árbitro de futebol. A primeira parte, ele ainda não estava cá. A segunda metade da segunda parte, eu convenci-me que de facto estava a dar azar à selecção, porque nos outros jogos só quando ia à casa de banho e saía de frente da televisão é que marcávamos golo. Cheguei a ir à cozinha quando eles se lançavam campo fora… Enfim, são as superstições desportivas que todos temos, mesmo que não as confessemos: este Euro, se eu estava a ver, não havia golo de Portugal. Assim, retirei-me da sala para ver se conseguíamos ganhar.

Não me culpem pela derrota com a Suíça, porque esse jogo foi a excepção, faz hoje uma semana não tinha cabeça para ver futebol.

Lembro-me de começar a ver futebol meio a sério com o Mundial do Naranjito, aos anos que isso foi. Houve outra competição em que insisti em ver os jogos todos de Portugal e o meu pai achava graça à “pancada da rapariga” e chamava-me para eu ir ver os jogos, dizia-me horas antes “olha, é às tantas, não te esqueças”. Foi ele quem me explicou o que era um livre, um pontapé de baliza, os fora-de-jogo (e coitados de nós, houve uma alteração qualquer aqui há uns anos e nem um nem outro nunca mais nos conseguimos entender se era fora-de-jogo ou não…). Às vezes o jogo irritava-nos e ele já não conseguia ver na televisão e ia para o quarto ouvir o relato na Julieta (a Julieta era o rádio despertador). A partir de certa altura, eu perdi a pachorra e só via os últimos vinte minutos, com o relato dele de como se tinham passado os outros setenta.

Por isso, aquele bocado de jogo com o olho clínico de um árbitro foi um reviver e um ir além dos meus jogos com o meu pai. De certa forma, uma dádiva inesperada: continuo a ter quem me explique o futebol. E de uma forma absolutamente fenomenal: o homem é tão bom, tão conhecedor, tão observador que me lavou a alma da mágoa que eu tinha do “epá, se vamos perder, ao menos que demos luta!”. E, sim senhor, pelo que ele ia dizendo, demos luta.

A “fita” do Ronaldo? Que depois foi explicada por o rapaz ter jogado com o pé quase partido? O nosso árbitro disse logo, com a jogada em directo, “pisou-lhe o pé”. O nosso segundo golo em fora de jogo? Ao segundo visionamento, “ali já não estava em fora de jogo”. A raiva fria por o outro ter empurrado o defesa. Em todas as jogadas ele apontava algo, fazia-nos o relato ele. Um verdadeiro espectáculo na nossa sala de estar.

Mas acho muito bem que o Felipão vá à vida dele! Dois Europeus, um Mundial, a partir daqui era a descer, são os ciclos. Que saia em alta, que vá ganhar lá fora o dinheiro que merece e que cá não lhe dão. Se depois dele a selecção não mantiver a qualidade, também não é digno que só a tivesse porque tinha um gajo a puxá-la pelo colarinho. Sejam homens.

«Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, é a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas»
Video e Última no Público

Oh, oh, shôr Aníbal, e digo-lhe isto, não só como Portuguesa mas com o peso acrescido (quer queiram quer não) de ter posto a cruzinha no quadradinho na linha do seu nome nos idos de Janeiro de 2006 e de o ter posto, assim, no poleiro:

OH OH SHÔR ANÍBAL!!! ENTÃO ISSO DIZ-SE???

Vocemessê veja lá isso, porque isto, as regressões de memória, na sua idade, isto pode ser grave. Tome Cerestabon, a minha mãe, que comemorava o Dia da Raça consigo quando estudavam juntos na Escola Comercial (no D. Maria? enfim, nos tempos da Outra Senhora), é o que toma e parece que faz bem.

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"É proibida a entrada a quem não estiver espantado de existir."

José Gomes Ferreira

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God grant me
The serenity to accept
the things I cannot change;
Courage to change
the things I can;
And wisdom
to know the difference.

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