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Perdoem-me a longa citação inicial, mas eu tou-me a passar e preciso de contextualizar bem a coisa… Isto vinha na edição do Público comemorativa do 19º aniversário do jornal (já não encontro o link, mas iirc, vinha na P2):
Foi o que aconteceu no caso do célebre ciclista Edú Mercê, Eddy Merckx para os menos íntimos. O corrector ortográfico da altura tinha um acentuado sotaque carioca e – como reconheceu Manuel Abreu, então editor de Desporto, no PÚBLICO ERROU do dia seguinte – “levou a melhor”.
Quando o copydesk José Imaginário (e não, este nome é mesmo a sério!) pegou no texto, a pressão do fecho e o facto de o software ser novo conjugaram-se para o disparate. A posição relativa das teclas “manter” e “alterar” tinha-se invertido, pelo que, em vez de manter as palavras certas, a intervenção do revisor de texto acabou por ordenar ao computador que alterasse a palavra seleccionada pela primeira sugestão que o programa fazia. “Ficámos todos piores que estragados”, resume José Imaginário.
A prosa, dada à estampa a 14 de Dezembro de 1999, referia-se ao futuro Museu do Ciclismo Português e ficará para sempre como um dos mais estapafúrdios monumentos ao nonsense escritos na língua de Camões. Ou qualquer coisa desse género derivada do latim. Começava assim: “A camisola de Edu Mercê, diversos equipamentos utilizados por Joaquim Agostinho, medalhas de Gil Morrera, Arrastadas Maratonas e João Gomes (…)” E seguia por ali fora, aventurando-se ousadamente até onde homem algum jamais foi.
E não é que foram mesmo? E deixaram-me aqui!
Ando desde 5 de Março num episódio da Quinta Dimensão. Sim, mais um. Já é costume ter momentos, mas este… este é a sério. É grave. E dura. Este é mesmo um episódio da Quinta Dimensão em que TODA a gente sabe muito bem o nome do ciclista que o corrector do Público traduziu para Arrastadas Maratonas, MENOS EU. E NINGUÉM ME DIZ!
Perguntei. Googlei. Sapoei. Yahooei. Aeiouei. E nada. No Google existem neste momento três referências à frase “arrastadas maratonas”. Duas são minhas. A outra… o gajo sabe e não diz. Ninguém se questiona. Ninguém põe em causa. Ninguém duvida. Toda a gente sabe. Menos eu. E ninguém me diz.
Mais do que a minha própria incompetência em desler o nome “corrigido” nas listas de ciclistas que encontrei um pouco por todo o lado, é esta ausência universal-menos-um de dúvida que me mói. Toda a gente sabe. Menos eu. E ninguém me diz…
Bispo de Viseu entende que doentes com SIDA devem usar preservativo – TSF
O bispo de Viseu entende que os doentes com SIDA que não prescindem de ter relações sexuais devem usar preservativo para não transmitirem esta doença a outros.Para Ilídio Leandro, a este propósito, há que distinguir a lei geral de questões relacionadas com doentes infectados.
Ouvido pela TSF, este religioso distinguiu a «orientação da Igreja sobre deteminados comportamentos a nível teórico e de tese» e o «acompanhamento pessoal e a situação concreta em situações concretas».
«Aquilo que é importante frisar é que a lei da Igreja nunca esmaga as pessoas. Cada pessoa concreta tem sempre a paciência de Deus e a misericórdia de Deus», explicou.
Por esta razão, Ilídio Leandro defende que um doente com SIDA que não prescinda de relações sexuais «é moralmente obrigada a não transmitir a doença».
«Por isso, com preservativo e com um meio que naturalmente preserve a questão dessa doença, a pessoa deve evitar a infecção na pessoa com quem tem relação sexual», concluiu.
Esta ideia foi defendida na sua mensagem de Quaresma que está publicada na Internet, tendo este bispo, explicado, à TSF, que não tem medo da polémica, uma vez que a sua posição é sustentada pela doutrina da Igreja Católica.
Sobre a posição recentemente reiterada por Bento XVI durante uma visita ao continente africano, Ilídio Leandro considerou que o papa não poderia assumir outra posição se não a defender que o problema da SIDA em África não se resolve com a distribuição de preservativos.

Escrevi um post na minha cabeça hoje de manhã, mas depois adormeci e varreu-se-me.

Esta foto foi tirada por uma das minhas pessoas favoritas. E para estes canais parte hoje A Pessoa Favorita, mais do que amiga, mais do que irmã, mais do que parte do meu coração: parte da minha alma eterna. Se acreditasse na reencarnação, diria que em outras vidas fomos gémeas.
Parabéns, minha querida!
Vinha distraída Avenue Charles De Gaulle abaixo. Ao fundo, a Mairie, com a sua fachada sóbria e elegante, as bandeiras tricolor e estrelas-sobre-azul esvoaçantes. E, de repente, reparo nos cartazes de propaganda politica colados nos placards junto ao gradeamento. La France aux Français.
E ali, na minha cidadezinha de bonecas, com meia dúzia de ruas, junto à floresta, com a sua halle do século XV, entre os fromages e o couscous marroquino e a carne à alentejana do L’Escargot e a estátua de Nossa Senhora de Fátima na Igreja de Saint-Clément (oferta da comunidade portuguesa da região), ali, onde um e outro imigrantes queríamos educar os nossos filhos, ali, naquele ano de 2002, ainda antes de toda a bronca da primeira volta das Presidenciais…
… confesso, tive medo. Mais do que sentir-me rejeitada, tive medo. Vi naquele cartaz, então ali, entre os outros de outros partidos, com toda a legitimidade institucional dada pelo gradeamento da Mairie, o ódio. Um ódio com direito a voto e a lugar na arena política.
A Mairie fica entre dois rios, dizem rios mas ali parecem quase canais, para quem vem de uma cidade onde o rio se conhece na foz. Passam dum lado e doutro da avenida que eu descia, descontraída e distraídamente. Havia sempre cabecitas louras com os pais ou avós debruçados no murete, a tentar ver os peixes por entre algum lixo. E eu vi aquele cartaz e senti-me junto aqueles rios e só sentia, mais do que me lembrava, aquela noite em Paris em que os energúmenos da FN atiraram um pobre não-francês ao Sena. Foram presentes à Justiça, mas o morto ficou morto. E só senti a facilidade com que um bando de criminosos de repente evidencia a fragilidade de uma simples pessoa que vai à sua vida por uma rua. Como também em Lisboa, com as mãos e os pés, num bairro onde a liberdade de expressão se quis um dia rainha. Apenas porque a cor é outra, apenas porque os Rs não são rolados de berço.
Como mulher, sempre andei na rua com aquele sexto sentido a tentar prever e prevenir certos ataques, corça em alerta constante na coutada do macho latino. E por acaso estranhei andar pelas ruas de França e não ouvir os piropos, não sentir os olhares – estranhei aquela segurança enquanto mulher.
E, de repente, ali, na minha cidadezinha de bonecas, senti a minha porta arrombada. Não a minha porta de mulher, mas a de pessoa. Apenas porque não tinha nascido ali.
O indivíduo e o partido por trás desse cartaz continuam com direito de antena e assento na Assembleia Francesa e no Parlamento Europeu. Espero que a democracia que os pôs lá lhes mostre que somos mais, bem mais, tão mais, os cidadãos que continuamos a acreditar num grito antigo:
Liberté! Égalité! Fraternité!
Quanto mais leio sobre política, a das salas, a dos corredores e a dos cafés (reais e digitais), mais vontade tenho, não de me envolver para tentar ajudar a mudar, mas de virar costas com um grande suspiro.

A frase que o Público teve por bem destacar hoje.
E eu por acaso até conheço uma ribatejana que, no meio duma reunião ainda complicada e em resposta a um arremesso regionalista de certo indivíduo, se saíu com um “e eu sou ribatejana e nós sabemos pegar nos touros pelos cornos”. Nem era boca, mas o indivíduo encaixou. E a ribatejana, gente de bom coração, quando lhe explicaram o segundo sentido da sua saída… oh que ficou atrapalhada, ah pois ficou :) Ainda hoje fala nisso…
A barbearia do senhor Luís – O preservativo papal
Benedictus XVI não coloca a questão do sexo livre, porque essa questão não é defensável na óptica da doutrina que defende e aponta o caminho para o combate à HIV/Sida transmitida por contacto sexual, pelas regras definidas na moral católica apostólica romana, isto é, refiro mais uma vez, monogamia hetero e conceptiva.
Eis o que penso e não soube dizer. Este post deu ainda o mote para um segundo de resenha de comentários. Muito bom.

As hordas de africanos que seguem à risca a condenação papal do uso do preservativo são as mesmas que olimpicamente ignoram a sua proposta de moral sexual?
Estou um bocado baralhado – 31 da Armada
Com apenas uma pequena errata: onde se lê “africanos”, leia-se “pessoas”.
Aliás, sobre este assunto, gostei deste artigo da BBC, do qual destaco esta prova da diferença* (necessária) entre a doutrina geral da Santa Sé e a aplicação no terreno por parte do clero:
The Belgian Cardinal Goddfried Daneels said in 2004 that using a condom with the intention of stopping disease was morally different from using one to prevent the creation of life.
He said condoms could be the lesser of the two evils.Father Gerry O’Collins, Emeritus Professor at the Gregorian University in Rome, said the commandment ‘thou shalt not kill’, “trumps other issues”.
The Catholic aid agency Cafod is bound to uphold the official teaching of the Church, and it makes clear that it does not fund or advocate the supply, distribution or promotion of condoms.
However, Cafod also points out that condoms are particularly effective for people such as prostitutes who are at highest risk of infection.
ETA: Não é uma questão de “faz o que Frei Tomás diz e não o que ele faz”. É porque todos nós somos Igreja e, a menos que o Papa declare ex cathedra, todos nós temos alguma liberdade de interpretação e acto. A Santa Sé dá as linhas gerais, o clero no terreno age de acordo com a sua consciência. Um exemplo recente é o da proibição por parte do Cardeal Patriarca de Lisboa da alteração de espaços para a Missa Tridentina, invalidando assim a correcta realização do rito e recusando assim um certo retrocesso doutrinal da Santa Sé.
* – estou há quase meia hora à procura do termo correcto, que não é “diferença”, mas já estou cansada e não chego lá. Aceitam-se sugestões…

Perdi uma amiga. Não há rodeios, por vezes a economia brutal das palavras é terapêutica, necessária, quase essencial para perceber e avançar.
Perdi uma amiga e não há pior na vida do que perder pessoas. Homens (ou mulheres) há muitos(/as) e o corpo perde a memória, mas a alma… a alma guarda tudo, o bom e o mau, em cantinhos que se enchem de luz nas alturas mais distraídas e toda aquela saudade que estava escondida na sombra volta e volta e volta…
São encruzilhadas em bosques amarelos em que A vai por um caminho e B por outro e se continuam a ver e, perto da vista perto do coração, julgam que continuam lado a lado. Mas já não – são caminhos cada vez mais distantes. Os olhos continuam presos, mas não querem ver, não conseguem ver, o que se vai desprendendo, durante anos (quatro e meio, neste caso). Até ao dia. E o dia, quando vem, é brutal, é pura e simplesmente brutal.
Tenho a imensa sorte de a vida me fechar uma porta mas ao mesmo tempo me mostrar as outras que estão abertas, ou se vão entreabrindo. Tenho também a imensa sorte de a vida me ter ensinado a saber ver essas portas, a não pensar só “que estranho, há aqui uma corrente de ar.” Neste dias perdi uma amiga mas em três situações reencontrei amigos – e já não são caminhos num bosque amarelo, é a estrada toda aberta na sua prova de sabedoria.
“Allons! the road is before us!”
Uma tarde linda nas esplanadas do Campo Pequeno, com bons beberes e comeres e companhia da boa, à antiga. Só faltaram os touros.

Professora foi agredida a soco e pontapés por aluna do 5ºano – TSF
Uma professora da escola EB 2/3 de Esgueira foi, esta segunda-feira, agredida a soco e pontapés por uma aluna do 5ºano. A docente teve que ser transportada para o hospital de Aveiro para receber tratamento hospitalar.
Estas crianças de hoje não têm arte nenhuma. Eu, no meu tempo, ameacei a minha professora da primária que ia buscar um leão ao Jardim Zoológico se ela continuasse a dar-me trabalhos de matemática.

Wills opens heart for first time about his grief at Diana’s death
Second-in-line to the throne Prince William has spoken publicly for the first time about the devastating effects of losing his mother, Princess Diana, as a teenager. “Never being able to say the word ‘mummy’ in your life sounds like a small thing, however for many, including me, it’s now really just a word – hollow and evoking only memories,” said William, who was only 15 when his mother died in a car accident.
The 26-year-old royal has always avoided discussing his grief, but spoke out after becoming the patron of the Child Bereavement Charity, which his mother was involved in before her death in 1997.
William was speaking at a London event to mark his appointment. He also helped launch the charity’s ‘Remember her on Mother’s Day’ campaign, which encourages people to spare a thought for mothers who have lost a child and children who have lost their mothers. “I can… wholeheartedly relate to the Mothers Day campaign, as I too have felt – and still feel – the emptiness on such a day as Mother’s Day,” he revealed.
The Prince also spoke candidly about his emotions following Diana’s death in a car accident. “Initially, there is a sense of profound shock and disbelief that this could ever happen to you. Real grief often does not hit home until much later. For many it is a grief never entirely lost,” he said.
“Life is altered as you know it, and not a day goes past without you thinking about the one you have lost. However I know that over time it is possible to learn to live with what has happened and, with the passing of years, to retain or rediscover cherished memories.”
Ainda esta semana diverti-me com um amigo a trocar fotos do dia do funeral da Princesa Diana. A diversão foi apenas porque uma amiga casou nesse dia.
Lembro-me de estar a certa altura num círculo de raparigas, a falarmos do funeral, e de como algumas de nós só estávamos ali naquele dia, e não em frente à televisão ou mesmo em Londres, porque a amizade real falava mais alto, tinha de falar mais alto. Foi uma semana muito deprimente, com as imagens das flores em Londres, os apelos à Rainha, o tentarmos nós, aqui tão longe, lidar com o choque de perder aquele ícone.
Lembro-me que vesti um vestido preto, porque era chique e era o único que tinha, e dei umas notas de cor e alegria com os acessórios. E depois cheguei a casa, tirei os acessórios e vi a retransmissão do funeral na SkyNews noite dentro, assim vestida de luto.
Lembro-me do coração que parou e se apertou ao ver em cima do caixão, da bandeira, encostado a um pequeno bouquet de flores brancas, aquele envelope com a palavra Mummy.
E lembro-me das últimas palavras que disse ao ouvido do cadáver do meu pai. Faz agora nove meses. São dias ocos, estes, em que o mundo insiste em lembrar-nos coisas que nós não entendemos bem. Como se comemora o dia deles quando eles já cá não estão?

José Eduardo Martins é o nosso Mickey Rourke | Bitaites
Hoje José Eduardo Martins reconheceu o seu lapsus linguae e pediu desculpa aos outros 228 deputados, mas deixou de fora Afonso Candal. «A ele com certeza que não peço desculpas, a menos que queira fazer o favor de concretizar a insinuação que fez». Admiro esta atitude: quando alguém manda outra pessoa pó caralho, fica mal retractar-se logo no dia a seguir. É como se a intenção tivesse sido a de dizer ‘bora aí tomar um cafezinho. É uma questão de coerência.
Lindo! E o resto do artigo também!










