Tive o privilégio de assistir à primeira metade da segunda parte do Portugal-Alemanha com um árbitro de futebol. A primeira parte, ele ainda não estava cá. A segunda metade da segunda parte, eu convenci-me que de facto estava a dar azar à selecção, porque nos outros jogos só quando ia à casa de banho e saía de frente da televisão é que marcávamos golo. Cheguei a ir à cozinha quando eles se lançavam campo fora… Enfim, são as superstições desportivas que todos temos, mesmo que não as confessemos: este Euro, se eu estava a ver, não havia golo de Portugal. Assim, retirei-me da sala para ver se conseguíamos ganhar.
Não me culpem pela derrota com a Suíça, porque esse jogo foi a excepção, faz hoje uma semana não tinha cabeça para ver futebol.
Lembro-me de começar a ver futebol meio a sério com o Mundial do Naranjito, aos anos que isso foi. Houve outra competição em que insisti em ver os jogos todos de Portugal e o meu pai achava graça à “pancada da rapariga” e chamava-me para eu ir ver os jogos, dizia-me horas antes “olha, é às tantas, não te esqueças”. Foi ele quem me explicou o que era um livre, um pontapé de baliza, os fora-de-jogo (e coitados de nós, houve uma alteração qualquer aqui há uns anos e nem um nem outro nunca mais nos conseguimos entender se era fora-de-jogo ou não…). Às vezes o jogo irritava-nos e ele já não conseguia ver na televisão e ia para o quarto ouvir o relato na Julieta (a Julieta era o rádio despertador). A partir de certa altura, eu perdi a pachorra e só via os últimos vinte minutos, com o relato dele de como se tinham passado os outros setenta.
Por isso, aquele bocado de jogo com o olho clínico de um árbitro foi um reviver e um ir além dos meus jogos com o meu pai. De certa forma, uma dádiva inesperada: continuo a ter quem me explique o futebol. E de uma forma absolutamente fenomenal: o homem é tão bom, tão conhecedor, tão observador que me lavou a alma da mágoa que eu tinha do “epá, se vamos perder, ao menos que demos luta!”. E, sim senhor, pelo que ele ia dizendo, demos luta.
A “fita” do Ronaldo? Que depois foi explicada por o rapaz ter jogado com o pé quase partido? O nosso árbitro disse logo, com a jogada em directo, “pisou-lhe o pé”. O nosso segundo golo em fora de jogo? Ao segundo visionamento, “ali já não estava em fora de jogo”. A raiva fria por o outro ter empurrado o defesa. Em todas as jogadas ele apontava algo, fazia-nos o relato ele. Um verdadeiro espectáculo na nossa sala de estar.


2 comments
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Junho 22, 2008 às 6:34 pm
De Puta Madre
Nada disso.
Fomos EnRatados pela Alemanha!
Explico:
A Alemanha fez bluff no Jogo com a Croácia. ( A Croácia também saiu mascarada, como se bem viu no jogo com a Turquia. E viva a Turquia!)
O Jogo – Alemanha-Croácia – ao qual prestamos a atenção errada ( o Scolari especialmente, ele e os jogadores) foi um jogo de engodo – foram simuladas falsas fragilidades, para mascarar as verdadeiras.
A Alemanha apostou bem! Mais vale uns Lusos-folgazões e semi-iludidos com as pseudo-fragilidades Alemãs ( Daí! O muito inteligente 2 lugar no seu grupo) do que uns Lusos-em-crescendo-de-confirmado-favoritismo-com-pózinhos-de-conquistadores-dos-mares-&etc. e mais perigoso: com a informação certa sobre o valor da Alemanha. BOM BLUFF!
Fomos ingénuos. Claro que as histórias dos frangos no quintal do Ricardo devem ter chegado à Alemanha. ( Não esquecer que o Ricardo tirou os 3 à Inglaterra!!!)
Conclusão: fomos EnRatados, puros e singelos Ratos na armadilha Alemã. Não é só o CR que está agora com o chupa a mão! …
PS.: Foi um Ale-MANHA – Portugal. Viva a Turquia!
Junho 22, 2008 às 10:38 pm
cristinar
Okay, okay, obrigada pela explicação. Mas… EnRatados ou não, demos luta ou não demos?
Não me importo com os frangos do Ricardo, o gajo é lindo, basta-me isso ;)